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Poemas

Page history last edited by Alexandra 9 years, 3 months ago

Poemas sobre o mar


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Fotografia: Fernanda Ledesma


Mar

 

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Espero

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.

Dia do mar no ar

Dia do mar no ar, construído
Com sombras de cavalos e de plumas

Dia do mar no meu quarto-cubo
Onde os meus gestos sonâmbulos deslizam
Entre o animal e a flor como medusas.

Dia do mar no ar, dia alto
Onde os meus gestos são gaivotas que se perdem
Rolando sobre as ondas, sobre as nuvens.

Barcos

Dormem na praia os barcos pescadores
Imóveis mas abrindo
Os seus olhos de estátua

E a curva do seu bico
Rói a solidão.

Praia

As ondas desenrolavam os seus braços
E as brancas tombam de bruços.

Lusitânia

Os que avançam de frente para o mar
E nele enterram como uma aguda faca
E proa negra dos seus bracos Vivem de pouco pão e de luar.

Ondas

Onde-- ondas-- mais belos cavalos
Do que estes ondas que vóis sois
Onde mais bela curva de pescoços
Onde mais bela crina sacudida
Ou impetuoso arfar no mar imenso
Onde tão ébrio amor em vasta praia.


( Poemas retirados do livro Mar, de Sophia de Mello Breyner Andersen, CAMINHO.)


Passei o Dia Ouvindo o que o Mar Dizia

 

Eu hontem passei o dia 
Ouvindo o que o mar dizia. 

Chorámos, rimos, cantámos. 

Fallou-me do seu destino, 
Do seu fado... 

Depois, para se alegrar, 
Ergueu-se, e bailando, e rindo, 
Poz-se a cantar 
Um canto molhádo e lindo. 

O seu halito perfuma, 
E o seu perfume faz mal! 

Deserto de aguas sem fim. 

Ó sepultura da minha raça 
Quando me guardas a mim?... 

Elle afastou-se calado; 
Eu afastei-me mais triste, 
Mais doente, mais cansado... 

Ao longe o Sol na agonia 
De rôxo as aguas tingia. 

«Voz do mar, mysteriosa; 
Voz do amôr e da verdade! 
- Ó voz moribunda e dôce 
Da minha grande Saudade! 
Voz amarga de quem fica, 
Trémula voz de quem parte...» 
. . . . . . . . . . . . . . . . 

E os poetas a cantar 
São echos da voz do mar! 

António Botto, in 'Canções'

 


Vamos Cantar!

O Mar e as Artes

 

D. Carlos I

- Tenho gostos variados:

Gosto de fotografia,

Caça, pesca, equitação.

Desenho, ornitologia.

Gosto de admirar as aves,

Observar a Natureza!

É esse o meu passatempo,

Rodear-me de beleza!

Explorar o nosso mar

Com um olhar de cientista.

Conhecer bem as correntes,

Mantendo a visão de artista!

 

 

Refrão

- Estudo os peixes e as aves

E os mistérios do mar.

Faço inúmeras viagens,

Guardo imagens de pasmar!

 

 

- Enquanto estudo, desenho,

Faço as minhas aguarelas.

Assim, todos podem ver

Que as nossas aves são belas!

No meu belo iate Amélia

Faço viagens mesmo boas

Para estudar os oceanos

E depois mostro às pessoas!

O Aquário Vasco da Gama

Que vamos inaugurar,

É o sítio ideal

Para expor e divulgar!

 

Refrão

 

- Esta paixão pelo mar

Já a herdei do meu pai:

Ouvir o quebrar das ondas,

À hora em que a noite cai…

 

 

Refrão

 

In D. Carlos I – O Diplomata. 2006. Colecção: Expresso mais novos. Era uma vez um rei…

Planeta Tangerina. Lisboa

 



Fernando Pessoa

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Canção do mar

 

Em vídeo  na voz de Dulce Pontes

Informação:

"Canção do Mar" é uma canção portuguesa da autoria de Frederico de Brito e Ferrer Trindade. Foi cantada por Amália Rodrigues em 1955, no filme Os Amantes do Tejo sob o nome de "Solidão".

Dulce Pontes gravou uma versão da música no seu álbum Lágrimas, de 1993, tornando-se a mais conhecida versão.

 

Poema

 

Fui bailar no meu batel
Além do mar cruel
E o mar bramindo
Diz que eu fui roubar
A luz sem par
Do teu olhar tão lindo

 

Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração

 

Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo

 

Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração

 

Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo


Ao Longe O Mar (Madredeus)

 

 

 

Porto calmo de abrigo
De um futuro maior
Inda não está perdido
No presente temor

 

Não faz muito sentido
Já não esperar o melhor
Vem da névoa saindo
A promessa anterior

 

Quando avistei
Ao longe o mar
Ali fiquei
Parada a olhar

 

Sim, eu canto a vontade
Canto o teu despertar
E abraçando a saudade
Canto o tempo a passar

 

Quando avistei
Ao longe o mar
Ali fiquei
Parada a olhar

 

Quando avistei
Ao longe o mar
Sem querer deixei-me
Ali ficar


O Mare E Tu

Andrea Bocelli & Dulce Pontes

 

 

 

Sentir em nós
Sentir em nós
Uma razão
Para não ficarmos sós
E nesse abraço forte
Sentir o mar,
Na nossa voz,
Chorar como quem sonha
Sempre navegar
Nas velas rubras deste amor
Ao longe a barca louca perde o norte.

Ammore mio
Si nun ce stess'o mare e tu
Nun ce stesse manch'io
Ammore mio
L'ammore esiste quanno nuje
Stamme vicino a Dio
Ammore

No teu olhar
Um espelho de água
A vida a navegar
Por entre o sonho e a mágoa
Sem um adeus sequer.
E mansamente,
Talvez no mar,
Eu feita espuma encontre o sol do teu olhar,
Voga ao de leve, meu amor
Ao longe a barca nua a todo o pano.

Ammore mio
Se nun ce stess'o mare e tu
Nun ce stesse manch'io
Ammore mio
L'amore esiste quanno nuje
Stamme vicino a Dio
Ammore
Ammore mio
Si nun ce stess'o mare e tu
Nun ce stesse manch'io
Ammo re mio
L'amore esiste quanno nuje
Stammo vicino a Dio
Ammore

 


 

Florbela Espanca : Vozes do mar

 

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias?Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz,ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!

 

 


JOSÉ CARLOS MENDES BRANDÃO (a publicar)

A SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN 

Vejo o mar
quando me lembro de ti, Sophia,
e é um mar grego
e uma deusa se ergue das águas.

É o mesmo mar
batendo nos rochedos bravios,
as palavras como conchas
como pérolas negras.

A água escorre das minhas mãos,
a tua água, Sophia.
Sou a luz e a pedra de Boticelli
no cais de onde nunca parto.

Eu sempre volto ao mar,
nunca me satisfaço.
Quando morrer ainda voltarei ao mar
à procura de mim.

" Óleo s/ tela: Primavera, de Botticelli "

(LT)

BOM DIA, AMIGOS, COMEÇAR O ANO COM UM POEMA A SOPHIA É UM PRIVILÉGIO. ABRAÇOS.  LT e CC  JOSÉ CARLOS MENDES BRANDÃO (a publicar)  A SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN   Vejo o mar quando me lembro de ti, Sophia, e é um mar grego e uma deusa se ergue das águas.  É o mesmo mar batendo nos rochedos bravios, as palavras como conchas como pérolas negras.  A água escorre das minhas mãos, a tua água, Sophia. Sou a luz e a pedra de Boticelli no cais de onde nunca parto.  Eu sempre volto ao mar,  nunca me satisfaço. Quando morrer ainda voltarei ao mar à procura de mim.   * Óleo s/ tela: Primavera, de Botticelli *  (LT)

 


SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in O BÚZIO DE CÓS E OUTROS POEMAS

(Caminho, 1977)


Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela
Ao olhar sem fim o sucessivo
Inchar e desabar da vaga
A bela curva luzidia do seu dorso
O longo espraiar das mãos de espuma

Por isso nos museus da Grécia antiga
Olhando estátuas frisos e colunas
Sempre me aclaro mais leve e mais viva
E respiro melhor como na praia

 


FERNANDO PESSOA, in POESIAS.

(Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.)

Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995), (1ª publ. in Athena, nº 3. Lisboa: Dez. 1924, 5ª ed., 1995), in CANCIONEIRO

A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado ?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Óleo s/ compensado: Small Boat in Fog, por ©Robert Kimball

 


 
LUÍS MIGUEL NAVA, in POESIA COMPLETA (1979-1994), [Publ. D. Quixote, 2002]

 

O CÉU AGRADA-ME PENSAR

O céu agrada-me pensar que é a memória de dois ou três amigos, aqueles contra cujos lábios a partir de dentro empurraremos docemente os nossos nomes e que, quando levam a comida à boca, sabem que é a nós que estão a alimentar. São dois ou três amigos, aqueles só em cujos corações enfiamos achas, o clarão atinge-lhes os olhos, pensarão: hoje a memória é como se a trouxéssemos em braços. Não sei se quando o mar lhes vier ao espírito o ouviremos rebentar, o certo é que por ele às vezes sobem as marés. Há ondas que se vê terem por ele passado antes de contra os nossos corpos deflagrarem.
*
Óleo s/ tela: The Breaking Waves, por David James (1853-1904), MacConnal-Mason Gallery
*
(LT)

LUÍS MIGUEL NAVA, in POESIA COMPLETA (1979-1994), [Publ. D. Quixote, 2002]  O CÉU AGRADA-ME PENSAR  O céu agrada-me pensar que é a memória de dois ou três amigos, aqueles contra cujos lábios a partir de dentro empurraremos docemente os nossos nomes e que, quando levam a comida à boca, sabem que é a nós que estão a alimentar. São dois ou três amigos, aqueles só em cujos corações enfiamos achas, o clarão atinge-lhes os olhos, pensarão: hoje a memória é como se a trouxéssemos em braços. Não sei se quando o mar lhes vier ao espírito o ouviremos rebentar, o certo é que por ele às vezes sobem as marés. Há ondas que se vê terem por ele passado antes de contra os nossos corpos deflagrarem.  * Óleo s/ tela: The Breaking Waves, por David James (1853-1904), MacConnal-Mason Gallery *  (LT)

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